Capitéis Românicos

No portal, as imagens do tímpano, sobre o vão, mostravam que aquela era a casa Sagrada, lugar de refúgio onde todos podiam encontrar salvação.
Por muito rudimentar e incompreensível que hoje nos pareça, a escultura românica constituía uma linguagem – cifrada, é certo – que a comunidade entendia e através da qual se procurava suscitar o diálogo do homem com a divindade e consigo próprio.
No portal, as imagens do tímpano, sobre o vão, mostravam que aquela era a casa Sagrada, lugar de refúgio onde todos podiam encontrar salvação, mas que era indispensável respeitar, evitando as tentações e os perigos do dia a dia, muitos deles representados nas arquivoltas e nos capitéis.
No interior da igreja, os capitéis eram como livros abertos suscitando a atenção dos fiéis, para lhes relembrar o que já lhes fora dito na “porta do céu” ou para aduzir novos avisos, exemplos ou revelações.
A inclusão de dois capitéis românicos na lista de peças de referência deste museu justifica-se pela sua qualidade intrínseca e também pela oportunidade de chamar a atenção para uma expressão artística geralmente pouco valorizada, pelo grande público, como é a arte românica.
Pena é que as limitações de espaço não permitam ao museu expor muitos mais exemplares da sua valiosa e extensa colecção, proveniente dos principais templos da cidade que é, com justiça, considerada a “capital do românico português”.
Pelo facto de Coimbra ser, no séc. XII, a capital do reino e aí se concentrarem o saber, a cultura e a riqueza, a arte das suas igrejas apresenta uma marca de erudição e elegância, aliadas a um alto nível técnico, que a distingue. Marca brilhantemente definida como a “síntese nacional entre influências estrangeira e moçárabe” operada na Sé e que viria a influenciar toda a produção da época.
